Tema da Semana: A Natureza Amorosa de Deus
🌅 Manhã 71 – O amor é sofredor
📖 Base Bíblica: Lucas 22
🎧 Áudio: Ouça no Spotify
🎵 Canção do Dia: Sacrifício – Chris Duran

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. _ 1 Coríntios 13.4 ACF


Até onde você está disposto a ir por amor?
As suas escolhas revelam uma disposição para servir ou apenas para ser servido?
Você tem amado apenas quando isso lhe favorece ou também quando amar exige renúncia?

Contexto bíblico

Estava chegando o tempo de Jesus cumprir Sua missão. Os sumos sacerdotes e mestres da lei buscavam um jeito de matá-Lo em segredo. Então, Judas Iscariotes foi falar com eles para combinar a maneira como entregaria Jesus e, em troca, recebeu dinheiro.

Era época da Páscoa e Jesus ceou com os Seus discípulos. Tomou o cálice de vinho e o pão, deu graças e os repartiu com eles, orientando-os de que aqueles elementos representavam o Seu sangue e o Seu corpo, entregues em favor da humanidade. Também declarou que esse novo ritual de repartir o pão e o vinho deveria ser realizado em memória dEle, sempre que os discípulos se reunissem em Seu nome.

Depois pegou o pão e deu graças a Deus. Em seguida partiu o pão e o deu aos apóstolos, dizendo: — Isto é o meu corpo que é entregue em favor de vocês. Façam isto em memória de mim.
Lucas 22.19


Naquela mesma noite, depois da ceia, Jesus anunciou que havia entre os discípulos um traidor.

Mais tarde, saiu e, como de costume, foi ao monte das Oliveiras para orar. Sabia que a hora do Seu sacrifício estava chegando e, por esse motivo, encontrava-se em profunda agonia. Enquanto orava, o suor escorria pelo Seu corpo como gotas de sangue.

Em Sua oração, rogou a Deus que, se possível, O livrasse daquele cálice de dor que haveria de beber, pois sabia que seria exposto a um grande sofrimento para reconciliar a humanidade com Deus. Ainda assim, encerrou a oração declarando que fosse feita a vontade do Pai, e não a Sua.

E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra. _ Lucas 22.44


A história segue com Jesus sendo levado a julgamento, exposto ao escárnio e à zombaria, acusado de blasfêmia, espancado com chicotes e sentenciado a carregar a cruz na qual seria morto.

Foi crucificado ao lado de criminosos, teve as Suas mãos e os Seus pés transpassados por pregos e morreu por asfixia, após entregar o Seu espírito a Deus.

Reflexão

O Autor da vida, Rei do Universo, expôs-Se ao sofrimento, à humilhação e à morte por amor àqueles que criou, revelando-nos uma característica da natureza divina do amor: ele suporta o sofrimento porque é benevolente, é altruísta, é capaz de fazer algo que lhe custa para que o outro seja beneficiado por aquilo que foi ofertado.

O apóstolo Paulo, em sua carta aos Coríntios, descreve o amor como sofredor e benigno, uma vez que não busca os seus próprios interesses, mas é capaz de esperar e suportar. Conclui afirmando que, justamente por ser assim, o amor nunca falha (1 Coríntios 13.4-7).

Em outra de suas cartas, ao escrever aos Colossenses, afirmou que o amor é o vínculo da perfeição (Colossenses 3.14) e que, por amar, devemos suportar uns aos outros e perdoar, assim como Cristo nos perdoou.

Porque Deus amou, foi capaz de entregar o Seu único Filho em sacrifício. Porque Jesus amou, foi capaz de obedecer e entregar-Se em sacrifício. O resultado foi a redenção de toda a humanidade.

A definição bíblica de amor diz respeito à doação, a fazer algo em favor do outro, ainda que isso nos custe o conforto ou exija abrir mão da nossa própria vontade. Isso não significa submeter-se a relacionamentos abusivos, mas suportar desafios para alcançar resultados que vão além de nós mesmos. É abrir mão do egoísmo e agir por "nós", e não apenas por "mim".

Amor é uma mãe doando o seu corpo para dar vida a uma criança e os seus seios para alimentá-la.

É um pai que vai todos os dias ao trabalho e faz horas extras para garantir que seus filhos tenham sustento e um futuro promissor.

É um irmão que guarda o melhor pedaço do bolo pela alegria de ver o outro saboreá-lo e desfrutar da sua companhia.

É um amigo que celebra as conquistas e as vitórias do outro, sem se preocupar em ser maior ou menor do que ele.

Amor é quando aquilo que faz bem ao outro também faz bem a nós, porque não apenas entendemos, mas sentimos que, de algum modo, somos um só. Assim, não buscamos o outro para obter algo dele, mas para oferecer algo a ele.

No livro de Atos, ao falar sobre o costume dos cristãos, o autor afirma que eles perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (Atos 2.42). Essa também me parece uma boa definição bíblica para o ato de amar: estar em comunhão, em um tipo de comunhão tão profunda que o bem que fazemos ao outro, de algum modo, também é o nosso próprio bem.

Logo, uma boa régua para avaliarmos se realmente amamos é observarmos o quanto nos sentimos capazes de fazer algo em favor do outro, ainda que isso não nos traga nenhum benefício. Se você faz algo por alguém que não pode lhe oferecer nada em troca, ou sem esperar nada em troca, e o resultado alcançado pelo outro o faz feliz, então você compreendeu o significado bíblico do amor.

Obviamente, amar o outro não impede que você ame a si mesmo e lute para conquistar as coisas que deseja. Na verdade, ao sermos amados por Deus, aprendemos a nos amar e, então, nos tornamos capazes de amar o próximo. No entanto, o amor nos livra de uma vida autocentrada e limitada pelo egoísmo.

Por fim, amar é buscar estar na presença de Deus, não por tudo o que Ele pode ou deseja nos oferecer, mas porque o nosso espírito está conectado ao dEle de forma tão verdadeira e profunda que já não somos capazes de viver sem a Sua presença. Desse modo, obedecê-Lo deixa de ser um sacrifício e passa a ser um ato de rendição ao entendimento de que a Sua vontade é boa, perfeita e agradável.


Que Deus abençoe o seu dia. Até amanhã!

por Carla Rabetti
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